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sábado, 10 de outubro de 2009

Acordo entre Brasil e Vaticano foi aprovado pelo Senado

O Senado aprovou ontem o acordo entre o Brasil e o Vaticano, reconhecendo o estatuto jurídico da Igreja Católica no país. Sem polêmicas nem divergências, senadores votaram simbolicamente a favor do projeto. O texto segue à promulgação.Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Biblia Online

A aprovação do acordo simboliza a aproximação do Estado com a Igreja, mas, na prática, pouco altera a relação entre o governo e a instituição. O acordo ratifica normas já cumpridas sobre ensino religioso, casamento e prestação de assistência espiritual em presídios e hospitais. No Congresso, o projeto foi alvo de críticas de parlamentares que questionaram o fim do Estado laico com a aprovação do acordo.

O acordo garante imunidade tributária à igreja e reconhece às instituições assistenciais religiosas igual tratamento tributário e previdenciário previsto a entidades civis semelhantes. O texto também assegura assistência espiritual aos fiéis e protege o patrimônio da igreja e dos locais de culto, os símbolos, imagens e objetos culturais. Um ponto que gerou polêmica é o que garante o ensino religioso facultativo nas escolas públicas de ensino fundamental. O texto, no entanto, assegura o ensino de outras crenças. A Constituição já prevê o ensino religioso, mas não cita especificamente nenhuma crença.

O texto ratifica que o casamento celebrado conforme as leis canônicas produz os efeitos civis, desde que haja registro próprio. Outro item deixa clara a inexistência de vínculo empregatício entre religiosos e instituições católicas. É uma medida para a igreja se proteger de pedidos de indenização de padres que deixaram o sacerdócio. ” Nada se acrescenta de leis ou benefícios ” , disse o relator do projeto, Fernando Collor de Mello (PTB-AL). ” Apenas concede mais clareza às relações. ” É um acordo entre dois Estados ” , disse, citando que o Vaticano tem status de observador na ONU e OEA.

A aprovação do acordo no Senado foi bem mais tranquila do que na Câmara. Os deputados da bancada evangélica irritaram-se com a proposta, acusaram o governo de privilegiar os católicos e ferir a condição de país laico e apresentaram um projeto semelhante para garantir o mesmo tratamento dado à Igreja Católica às outras religiões. O texto, de George Hilton (PRB-MG), ficou conhecido como a Lei Geral das Religiões e tramitou concomitantemente ao acordo da Santa Sé com o Brasil. Ambos foram votados e aprovados ao mesmo tempo na Câmara, em agosto. No Senado, a Lei Geral das Religiões não prosperou ainda: está parada na Comissão de Educação e ainda não foi designado relator.

Já o acordo do Vaticano com o Brasil foi votado rapidamente. Em questão de horas, passou na Comissão de Relações Exteriores e, em seguida, no plenário. Collor apresentou parecer favorável e foi amplamente elogiado por senadores de diferentes partidos, como os líderes do PSDB, do DEM e do PT. Em consenso, disseram que ” é um acordo entre dois Estados, que ratifica as relações já existentes ” .

Não houve manifestações dos evangélicos e até mesmo Marcelo Crivella (PRB-RJ), da Igreja Universal do Reino de Deus, disse que ” não havia motivo para preocupação ” . ” Os juristas que consultei me disseram que o acordo firmado entre Brasil e Vaticano é o mesmo que já existe em mais de 100 países. Não acredito que o governo e a Constituição permitam privilégio a qualquer crença ” , disse.

A única crítica foi feita por Geraldo Mesquita Jr. (PMDB-AC), que considerou o acordo um privilégio à Igreja Católica. ” Será a palavra não mais da igreja, mas sim de um ente que tem acordo com o Estado ” , disse. O P-SOL, único partido a se posicionar contra o projeto na Câmara, não teve a mesma posição no Senado. O senador José Nery (PA), disse ser a favor do acordo. O líder da sigla na Câmara, Ivan Valente (SP), reclamou. ” O P-SOL defende o Estado laico e o que está sendo firmado é um acordo religioso, não de natureza comercial ” , disse ontem Valente. O deputado bispo Rodovalho (PP-DF), um dos articuladores da Lei Geral das Religiões, disse não ser contrário ao acordo, mas defendeu que ” os mesmos critérios devem valer para todas religiões ” .

Igreja Universal realiza distribuição de preservativos na África

Ao contrário das outras igrejas, a Igreja Universal do Reino de Deus nunca condenou o uso de camisinha. Mas em Moçambique, a Universal deu um passo à frente e está incentivando o uso e distribuindo camisinhas para a população. Seus obreiros podem ser vistos distribuindo camisinhas nas ruas na cidade portuária de Beira, a segunda maior de Moçambique, nos finais de semana.Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Biblia Online

Os obreiros se revezam em locais populares entre prostitutas, caminhoneiros, pescadores e crianças de rua, onde distribuem os preservativos, colam cartazes de prevenção do HIV e falam com o povo sobre discriminação, testes e adesão a tratamento antiretroviral.

Controvertida, a igreja pentecostal de origem brasileira está presente em mais de 170 países e é dona de uma das maiores rede de TV do Brasil, a Record. A igreja, que tem forte presença na África, responde a processos na justiça brasileira, onde é acusada de estelionato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Aborto e Bíblia

Em 2007, o bispo Macedo, fundador da igreja, se declarou a favor do aborto. Agora, pelo menos em Moçambique, sua igreja apóia abertamento o uso de preservativos: “Quem condena o uso de preservativo não é um cristão, mas sim um religioso que não tem consciência do que a AIDS está causando nas famílias ”, disse Mussate Mateus, diretor da Associação Benificiente Cristã (ABC), uma instituição de caridade ligada à igreja Universal.

Mateus foi além: “ Um pastor religioso lê a biblia como fosse um manual profissional, obrigando os fiéis a praticarem o que ele diz”.

Uma mudança drástica de posição comparada à declaração do pastor Pedro Garcia, da Universal em Maputo, ao PlusNews em Setembro de 2007, de que a igreja não incentivava e nem condenava o uso de preservativos: “Só achamos que a fidelidade e a abstinência são mais eficazes”.

Na época, o trabalho de prevenção de HIV da Universal e de outras igrejas evangélicas era financiado pela USAID, a agência de ajuda humanitária e desenvolvimento dos Estados Unidos, dentro de um projeto que estimula abstinência e fidelidade. O projeto ABY (abstinência, fidelidade e juventude, em inglês), que financia ações de várias entidadades religiosas, será descontinuado este ano, de acordo com a representação da USAID em Moçambique.

Beira, na Baía de Sofala, é o maior porto do país e integra as principais rotas de navegação do oceano Índico. A cidade também abriga o maior aeroporto de Moçambique e recebe um grande número de caminhoneiros e turistas. Ela é a mais afetada pela AIDS na província de Sofala: com uma população estimada em pouco mais de 432 mil habitantes, a cidade tem uma soroprevalência de 35 por cento, superior à média provincial de 21 por cento – que por sua vez está muito acima da prevalência oficial nacional de 16 por cento.

Neste cenário propício à propagação de doenças sexualmente transmissíveis, a ABC organiza marchas de conscientização sobre o HIV dentro da campanha “Moçambique sem HIV/SIDA”. Além do foco na discriminação, as marchas têm como objetivo sensibilizar populações de risco, como a de pessoas que vivem nas ruas.

Nos cultos anteriores às marchas, os pastores da Universal têm falado sobre o HIV. O trabalho foi iniciado dentro do programa da USAID com igrejas evangélicas e inclui ainda a distribuição de cestas básicas a soropositivos.